News Release

Pesquisadores da Mayo Clinic relatam resultados iniciais de terapia desenvolvida para um único paciente com uma forma genética rara de ELA

Peer-Reviewed Publication

Mayo Clinic

JACKSONVILLE, Flórida — Pesquisadores da Mayo Clinic relatam resultados iniciais promissores de uma terapia experimental direcionada à causa genética de uma forma rara de esclerose lateral amiotrófica, ou ELA.

O estudo de um único paciente, publicado na revista Med, aponta para uma possibilidade mais ampla na medicina de precisão — usar a causa genética de uma doença como base para testar terapias altamente direcionadas, particularmente para pacientes com doenças raras que têm poucas opções de tratamento. 

"Não achei que veria esse tipo de pesquisa durante a minha vida — identificar uma mutação causadora de uma doença, desenvolver uma terapia experimental e administrá-la a um paciente", afirma Björn Oskarsson, M.D., neurologista da Mayo Clinic e autor sênior do estudo. "Isso demonstra o poder da ciência e o quanto os tratamentos direcionados geneticamente avançaram." 

Tratamento direcionado para a ELA de origem genética

Esse trabalho se baseia em uma longa história de pesquisas sobre a genética da ELA na Mayo Clinic. Em 2011, a então neurogeneticista da Mayo Clinic Rosa Rademakers, Ph.D., e seus colegas ajudaram a descobrir uma mutação no gene C9orf72, atualmente reconhecida como a causa genética hereditária mais comum da ELA. A Dra. Rademakers recebeu o Breakthrough Prize in Life Sciences de 2026 por seu papel na descoberta. Pesquisadores da Mayo Clinic também desenvolveram modelos iniciais que ajudaram cientistas a investigarem como a mutação contribui para a ELA.

Desde que ingressou na Mayo Clinic, o Dr. Oskarsson ajudou a transformar os avanços na genética da ELA em pesquisas de tratamento, contribuindo para o primeiro tratamento aprovado para a ELA genética.

A ELA causa danos progressivos aos neurônios motores, as células nervosas que controlam os movimentos voluntários. Neste estudo, os testes genéticos identificaram uma mutação no CHCHD10, um gene associado a uma forma rara de ELA. A mutação parece fazer com que a proteína CHCHD10 seja prejudicial às células nervosas e está associada a alterações anormais na TDP-43, uma proteína estreitamente associada à ELA.

Pesquisadores da Mayo colaboraram com a organização sem fins lucrativos n-Lorem Foundation, que desenvolve medicamentos baseados em oligonucleotídeos antissenso, ou OASs, para pessoas com doenças genéticas ultrarraras. Os OASs são pequenas cadeias sintéticas de material genético desenvolvidas para se ligarem ao RNA e reduzirem a produção de uma proteína que contribui para a doença. A fundação desenvolveu e avaliou mais de 320 OASs direcionados ao CHCHD10 antes de selecionar um candidato principal com base na especificidade e nos testes iniciais de segurança.

Sinais iniciais de resposta ao tratamento

O estudo relata as seis primeiras doses do OAS experimental administradas ao paciente, por meio de injeções no líquido que envolve a medula espinhal. O tratamento foi bem tolerado, e os níveis de neurofilamento de cadeia leve — um biomarcador sanguíneo de lesão das células nervosas — diminuíram em até 50%. As medidas de respiração, cognição e função física permaneceram estáveis ou apresentaram melhora modesta.

"A resposta rápida do neurofilamento de cadeia leve foi muito promissora", afirma o Dr. Oskarsson. Em uma doença progressiva como a ELA, acrescenta ele, a estabilização pode ser uma observação significativa.

O estudo também oferece aos pesquisadores a oportunidade de analisar mais detalhadamente o que acontece dentro das células durante a terapia. Usando amostras coletadas antes e durante a administração dos OASs, a equipe está estudando alterações na TDP-43, bem como a função mitocondrial e a atividade dos genes. O objetivo é compreender como a supressão do CHCHD10 pode afetar o processo da doença em nível molecular.

A terapia permanece em fase de pesquisa experimental e não faz parte do tratamento clínico padrão. O Dr. Oskarsson estima que cerca de 50% dos casos de ELA tenham origem genética, mas observa que apenas uma parcela desses casos é atualmente adequada a uma abordagem com antissenso. Algumas formas genéticas podem exigir outras estratégias, incluindo edição genética.

Uma estrutura para a medicina de precisão

O estudo faz parte de um esforço mais amplo por meio do Programa de Terapias N-de-1 da Mayo Clinic para compreender quais elementos do desenvolvimento de medicamentos, da avaliação clínica e do monitoramento podem ser aplicados a diferentes terapias genéticas individualizadas.

"É assim que começamos em casos como este", afirma Margot Cousin, Ph.D., diretora do Programa de Terapias N-de-1 e autora principal do estudo. "Eles nos ajudam a construir a estrutura científica, clínica, translacional e regulatória para fazer isso de maneira rigorosa e equitativa. À medida que aprendemos a ampliar essas abordagens, o impacto pode ir muito além das doenças ultrarraras."

A pesquisa em doenças ultrarraras pode ajudar a estabelecer parâmetros de referência de segurança, aprimorar plataformas de tratamento genético e esclarecer quais mecanismos de doença são mais suscetíveis a terapias direcionadas. Essas lições poderão, em última análise, contribuir para novas abordagens para doenças mais comuns.

Para uma lista completa de autores, divulgações e financiamento, reveja o estudo.

### 

Sobre a Mayo Clinic  
A Mayo Clinic é uma organização sem fins lucrativos comprometida com a inovação na prática clínica, educação e pesquisa, fornecendo compaixão, conhecimento e respostas para todos que precisam de cura. Visite a Rede de Notícias da Mayo Clinic para obter outras notícias da Mayo Clinic. 


Disclaimer: AAAS and EurekAlert! are not responsible for the accuracy of news releases posted to EurekAlert! by contributing institutions or for the use of any information through the EurekAlert system.